São as grandes vitórias que sempre aparecem, são divulgadas nos noticiários, são exaltadas, contadas e recontadas, e ficam na memória das pessoas. Muitos esquecem, porém, do caminho que se trilhou até chegar a uma grande vitória, ou seja, do valor das pequenas vitórias. Foi o que chamou a atenção de Charles Duhigg, em sua obra “O poder do hábito” (Trad. Rafael Mantovani. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012). Segundo aquele autor, pesquisas demonstraram que “pequenas vitórias têm um poder enorme, uma influência desproporcional às realizações das vitórias em si. (…) Pequenas vitórias alimentam mudanças transformadoras, elevando vantagens minúsculas a padrões que convencem as pessoas de que conquistas maiores estão dentro de seu alcance”.  Duhigg vale-se, dentre outros, de estudos do psicólogo organizacional Karl Weick, que traz uma abordagem interessante sobre o assunto. Para ele, as pequenas vitórias fornecem informações que facilitam o aprendizado e a adaptação. Pequenas vitórias são como experimentos em miniatura que testam teorias implícitas sobre resistência e oportunidade, e permitem descobrir tanto os recursos como os obstáculos que eram invisíveis antes de a situação ser provocada (WEICK, Karl E. Small wins: redefining the scale of social problems. American Psychologist, v. 39, jan./1984, p. 40-49).

Podem ser lembradas as pequenas vitórias que foram necessárias até a graduação, por exemplo. O vestibular, as aprovações nos exames semestrais, os estágios bem-sucedidos, as palestras assistidas para atingir as exigências da universidade, o trabalho de conclusão e até a preparação final para a formatura. E assim também na conquista de um emprego e de uma promoção, na aprovação em concurso público, na inserção em determinado grupo social, na realização de uma pós-graduação. Também é preciso lembrar das pequenas vitórias para a criação de um filho, a perda de peso ou o abandono de um vício. E não se podem esquecer, ainda, as pequenas vitórias para o sucesso de uma empresa ou organização. Duhigg refere, por exemplo, as pequenas vitórias conseguidas nos Estados Unidos, nos anos 1960, das organizações de defesa dos direitos dos homossexuais, ou a pequena vitória de Paul O’Neil como executivo da Alcoa, ao reduzir os acidentes de trabalho e, com isso, criar um hábito organizacional positivo que contaminou toda a empresa.

Será que estamos valorizando nossas pequenas vitórias? No trabalho, nas relações familiares, nos estudos ou mesmo no País. Será que estamos dando a importância a esses pequenos passos em direção às grandes vitórias? Falar neste assunto suscita outras indagações: como identificar uma pequena vitória? E, ao identificá-la, como saber se estamos diante de uma pequena vitória útil aos nossos objetivos maiores? E as pequenas derrotas, o que significam? Enfim, como agir diante de pequenas vitórias e pequenas derrotas, contraditórias com as grandes vitórias que desejamos? São todas questões palpitantes e que podemos tentar responder a cada acontecimento, a cada tombo e a cada superação.

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