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CENTRAL

Fonte de imagem: Divulgação

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O documentário “Central”, atualmente em cartaz no circuito de cinemas de Porto Alegre, proporciona uma profunda reflexão não apenas a respeito do sistema carcerário, mas também sobre a segurança pública, em especial a gaúcha.

Sob o critério cinematográfico, nenhuma pronunciada inovação, pelo menos em comparação a outros trabalhos que apresentam temática similar. As filmagens realizadas pelos próprios internos do sistema, por exemplo. Anunciadas por alguns comentaristas como inéditas, em verdade apenas repetem recurso já utilizado pelo diretor Paulo Sacramento no não menos excepcional “O prisioneiro da grade de ferro”. A diferença é que este foi realizado no início da década passada no complexo do Carandiru pré-implosão.

Ainda nessa linha documental, indispensáveis se mostram “Ônibus 174”, de José Padilha, que ficou internacionalmente conhecido com os filmes “Tropa de Elite”, e “Notícias de uma Guerra Particular”, de João Moreira Salles e Kátia Lund. Ambos fortíssimos e esclarecedores.

“Central” segue essa linha. Pode não ser cinematograficamente renovador, ainda assim é uma bordoada nos especialistas de boteco que professam a tese de que se resolve a grave questão da segurança pública enfiando criminosos numa cela e jogando a chave fora. Cacetada especialmente em nós gaúchos, sempre tão ciosos da nossa qualificada politização e seguros de que crime organizado é coisa de carioca ou paulista. Pois aí está. Algumas décadas de descaso público redundaram nessa tragédia social. Não foi por falta de aviso.

Outro aspecto interessantíssimo é a visão de alguns policiais militares encarregados da segurança no Presídio Central de Porto Alegre. Os que esperam por opiniões esterotipadas desses profissionais podem se surpreender com a profundidade das análises. Não há bons e maus nesse trágico contexto, mesmo para aqueles que pretendem inverter essa equação. Há problemas conjunturais socialmente nefastos que não se resolvem com maniqueísmo.

Por colocar o dedo em ferida aberta, “Central” se inscreve como um documentário imprescindível. Não apenas para cinéfilos, mas para o público em geral. Seu didatismo reclamaria que fosse passado em rede nacional ou no horário nobre de alguma emissora. Mas se sabe que aí já é pedir demais. Mais vale o sangue de mentira escorrido de corpos mutilados por heróis a la Vin Diesel do que o sangue verdadeiro que brota das paredes de um sistema ultrapassado e apodrecido.

Os textos publicados não refletem necessariamente a opinião da AJUFERGS. O blog é um meio de convergência de ideias e está aberto para receber as mais diversas vertentes. As opiniões contidas neste blog são de exclusiva responsabilidade de seus autores.
  1. VANDA

    Todos deveriam assistir ,para entenderem como nosso sistema prisional está retrógrado e o que precisa ser mudado,o que não é impossível!

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