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O DIA EM QUE O MUNDO PAROU

Fonte de imagem: Jornal de Negócios

Fonte de imagem: Jornal de Negócios

Uma série de atentados cibernéticos atormentaram o mundo nesta sexta-feira (12/05). Não, nem treze ela era. Hospitais da Inglaterra arrasados e setenta e quatro países no mundo se questionando sobre o que está acontecendo. No Brasil, o sítio do Tribunal de Justiça de São Paulo e Ministério Público foram desligados às pressas, a fim de preservar o conteúdo do suposto “ransomware”, que é uma espécie de programação de computador que inutiliza seus dados até o pagamento de um resgate. No fim, um dia para ficar na história como um demonstrativo de poder: o ciberataque.

Certa feita pensei que quando começasse a fazer sentir em nossa carne o corte frio do mundo digital iríamos sentir. Chegou o dia do experimento. Os defensores da época digital, da modernização e parafernálias – como eu – sofre quieto as preocupações do que um ataque desse porte pode causar. Antes, quando se restringiam aos laboratórios com especialistas garantindo nossa segurança não havia o menor problema. Todavia, escapou de lá, agora atingindo nós abruptamente, que, diante dessa situação, ficamos olhando de braços cruzados angustiados na espera de soluções tão rápidas quanto nossas vontades.

Aparenta que alguém tocou nossa campainha oferecendo-nos um produto maravilhoso, a solução de todos os problemas e que seria revolucionário, como de fato foi e continua sendo. Contudo, nosso êxtase foi tanto que, sem ao menos perguntar seu nome, convidamo-lo para entrar, demos assento e comida em nossa casa. Aliás, no fim, a prosa foi tão boa que entregamos tudo: nossos pertences, nossa memória, nossa vida privada. Esse sujeito, chamado internet, de tão convincente, nos fez seguros de que era uma das melhores ferramentas já inventadas até então. Como uma droga, bebemos dessa fonte hipnotizados, expulsando qualquer um que dissesse o contrário, enquanto bradávamos: a internet é o futuro.

Todavia, o futuro arrebatador começou há tempos dando sua face mais obscura. Desse modo, logo depois, descobrimos que fomos enganados por um quase estelionatário. Sim, essa rede que está em tudo, mas não está em nada. Ora, onde seguro ou sinto essa vida que depositei ali? Não, amigo. Não está ali, nem lá: está em tudo, como o ar. Na nuvem que não é nuvem, mas hardware, ou ainda, pré-sucata para quem ler esse texto amanhã. No fim, me regozijo pelo amplo acesso ao conhecimento que ela me deu, em troca de abduzir a vida que tenho.

Assim, nos demos conta – ou começamos – que aquele sujeito que invadiu nossas casas com mil maravilhas também consegue pôr em risco um Hospital, banco ou um País inteiro. Aos seus pés nos curvamos e agora enfrentamos a ira que ela pode proporcionar. De fato, como seria se amanhã todos os processos eletrônicos dos tribunais fossem apagados? Como ficaria se as contas bancárias estivessem zeradas? Imagine um grupo de hackers fazendo o que bem lhes interessa com todo o imenso acervo judicial eletrônico. O perigo nos ronda quieto. Ao intenso prazer de não acrescentar mais uma preocupação no dia, vamos seguindo, esperando que ela, a inofensiva que inflou, tornando-se a estrada do mundo, não nos dê as costas nesse momento em que mais precisamos – e a tememos.

Os textos publicados não refletem necessariamente a opinião da AJUFERGS. O blog é um meio de convergência de ideias e está aberto para receber as mais diversas vertentes. As opiniões contidas neste blog são de exclusiva responsabilidade de seus autores.
  1. Carlos Alberto Merlo

    Será que Não é hora de formatar o disco, apagar tudo. As vezes temos que formatar nosso computador, pois tem tanta besteira…Formatando tudo veremos coisas que não vemos e sentimos mais.

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