O mundo das letras está em festa! Esse mundinho composto por gente apaixonada por livros agora conta com uma revista especializada neles, ao estilo de publicações como ‘London Review of Books’ e ‘The New York Review of Books’.

Seu nome: Quatro cinco um. Soa estranho? Então lembre do clássico ‘Fahrenheit 451’, de Ray Bradbury. O número não é mera sugestão para fazer uma fezinha no jogo do bicho. É a temperatura em que o papel entra em combustão, suficiente para consumir um livro. Ironia? Não interessa. O que vale é o conteúdo! E dá para afirmar que a revista tem.

São diversas resenhas de fôlego, abrangendo as mais distintas áreas, como ficção, filosofia, antropologia, política, crítica literária, poesia, história, infantil… ufa! Há mais… mas cansei de digitar. E escritas por pessoas com estofo para serem ouvidas. Cito três, dentre meus conhecidos e admirados, Sérgio Augusto, José Murilo de Carvalho e Antonio Prata.

Algumas das obras resenhadas: Mulheres, raça e classes, da Angela Davis, finalmente traduzida no país; Tancredo Neves, o príncipe civil, de Plínio Fraga, sobre o presidente que não foi e que, vivo fosse, estaria com vergonha das estrupulias do neto; SPQR: uma história da Roma antiga, de Mary Beard, o título fala por si e o assunto pode ser batido, mas é o estudo de uma das maiores especialistas; Araweté, um povo tupi na Amazônia, dentre os autores o indefectível Eduardo Viveiros de Castro. Ah! Dois livros da Elena Ferrante, cuja obra não conheço mas que tem causado furor e por isso a cito, também são resenhados. E chega por que senão perde a graça.

Mais. A edição inicial, correspondente ao mês de maio, apresenta ainda um listão de recomendações com quase cento e cinquenta indicações em vinte áreas!

Quatro cinco um chegou com tudo, para suprir a carência da saudosa ‘Entre Livros’. Num país continental que mal e mal conta com a piauí e a Cult, além de ainda estar de luto pelo passamento da Bravo, há que se comemorar. Vai ombrear com a Rascunho, embora possam viver felizes para sempre.

E custa míseras dezessete patacas! Dá para deixar de comer Big Mac por um dia e alimentar o espírito.

Claro que como toda publicação de respeito, não é encontrada em qualquer local. Fisguei a minha na Livraria Cultura. Há opção por assinatura anual – menores de 26 anos, como no meu caso, têm um bom desconto na assinatura – e a do assinante entusiasta cujo bordão é “pague um pouco mais e ajude a Revista dos Livros em seu primeiro ano”.

Vamos contribuir e usufruir. Depois não adiantará reclamar que o projeto não vingou.

 

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