Ficha Técnica:
Last Days of the Romanovs.
Tragedy at Ekaterinburg
Autor: Helen Rappaport
Tradução: Luís Henrique Valdetaro
Record, 2010. Rio de Janeiro.
História, Sec. XX, Revolução Russa.

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Em 16 de julho de 1918 um assassinato cruel exterminou toda a família real russa. Recordando, a família imperial, dinastia Romanov, de 400 anos, Czar Nicolau II, sua mulher Alexandra (sobrinha do Kaiser Guilherme II, da Alemanha, e neta da Rainha Vitória) e os filhos Maria, Olga, Tatiana, Anastásia e o filho Alexei (hemofílico). No início da Revolução Russa, o Czar renuncia, é preso pelos bolcheviques. Toda a família é transportada para a região dos Urais, em Ecaterimburgo, e ali confinados na “casa Ipatiev”, “a casa com propósito especial’ para Lenin, onde aguardariam até ser decidido o seu destino. Trotsky planejava um julgamento-espetáculo como o de Luiz XVI, em 1793. Lenin junto com o seu braço direito Yakov Sverdlov decidiram pelo assassinato de toda a família e destruição de seus corpos para que não fossem utilizados pelos grupos que disputavam a tomada do poder. A autora é historiadora, especialista em história russa, e após pesquisas em registros históricos, retrata os últimos dias e o calvário da família. É um relato chocante, com detalhes do massacre. Foi necessário um pente inteiro de balas para matar o pequeno Alexei, e a utilização de facas para matar as jovens, já que as jóias da família foram costuradas nas roupas interiores, funcionando como coletes protetores.

A autora projeta a história até o presente, mostrando Boris Ielstin, em 1977, então líder local do partido, recebendo ordem de demolir a casa para evitar a romaria de fiéis ortodoxos.

Cumpriu a ordem, mas teria declarado: “cedo ou tarde teremos vergonha desse ato de barbárie”. Mesmo assim, os escombros da casa continuaram a ser visitados. Em 1979, a Floresta Koptiaky começou a ser vasculhada até a localização dos restos da família e seus serviçais.

No local ergueu-se uma igreja ortodoxa. A família foi canonizada. Há romarias e venda de objetos religiosos. A autora, em notas posteriores, relata as dificuldades da pesquisa nas fontes russas, e sua tentativa de achar um caminho isento. Não recrimina a trajetória política de Nicolau II e o tratamento dispensado por ele às minorias, especialmente os judeus. Encartada uma coletânea de fotos, até dos executores da chacina. É transcrita a motivação, isto é, a exposição de motivos do Soviet dos Urais, ao decidir pelo assassinato coletivo. O episódio marcou o início de uma orgia de terror que custou 13 milhões de vidas. Uma leitura impactante, forte. Vale a pena também assistir aos filmes “Nicholas e Alexandra”, “Dr. Jivago” e “Rasputin”, para entrar na época. Temos em conclusão um exemplo histórico do terrorismo de Estado, da ausência do devido processo legal, da coletivização da pena, que foi também imposta aos familiares. O que me parece extraordinário é que a comunidade internacional não tenha conseguido resgatar pelo menos os familiares de Nicolau II, sobrinho da Rainha Vitória e parente de todas as cabeças coroadas da Europa. Aos 100 anos da Revolução Russa, vale a leitura, forte, mas essencial.

Em 1991, segundo Simon Montefiori (Os Romanov 1603-1918, pag. 803), uma expedição oficial da Federação Russa exumou os ossos, dividos em nove esqueletos, faltavam os corpos de Alexei e Maria. Em 2007, finalmente, foram encontrados e reunida a família, adorada pelos ortodoxos, repousa em paz.

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