Ficha Técnica:
Obra: “Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo”.
Autor: Mário Magalhães.
São Paulo: Cia. das Letras, 2012.
Biografia, Sec. XX, Ditadura Vargas, Revolução de 64, Movimentos de esquerda.

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Mário Magalhães é jornalista, nascido em 1964. Trabalhou na Tribuna da Imprensa, O Globo, Estado de São Paulo, Folha de São Paulo. Recebeu prêmios, entre eles: o “Esso de Jornalismo” e o “Vladimir Herzog”.

O autor levou nove anos para reconstruir a história de Carlos Marighella, entrevistando 256 pessoas. Pesquisou em documentos históricos e garimpou alguns fatos inéditos. Trata-se de um livro de fôlego, repleto de revelações surpreendentes sobre figuras de nossa história recente. Registra a vida tumultuada e aventureira do militante comunista Carlos Marighella (1911-1969). Menino em Salvador, adversário e perseguido pela ditadura de Vargas, militante comunista, deputado federal, constituinte, fundador, em 1946, de grupo armado, após o regime de 1964, a Ação Libertadora Nacional (ALN). Filho do imigrante italiano Augusto Marighella, ferreiro e da negra malê liberta Maria Rita. Mulato, porte atlético, estudante de engenharia, irreverente, brincalhão e poeta.

Respaldado em documentações e registros fotográficos, percorre a vida desta figura singular. Ao contar a história pessoal de Marighella, acaba traçando um painel mais amplo, apresentando a história dos movimentos radicais de esquerda no Brasil e no mundo. Anticlerical, Marighella teria sido defensor precoce dos direitos das mulheres. Preso na Ilha Grande, em Fernando de Noronha, foi admirador de Stalin e Prestes. Transformado em inimigo público nº 1, após o assalto ao trem postal pagador da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí para obter recursos para a luta armada, assaltou bancos e praticou outros atos de terror político. Na era Vargas, sofreu perseguições e torturas e continuou sendo perseguido no regime militar.

A vida de Marighella cruzou com figuras de destaque na cena nacional  e internacional, como Fidel, Getúlio Vargas, Che Guevara, Carlos Lacerda, Luiz Carlos Prestes, Carlos Lamarca e integrantes do meio cultural, como Jorge Amado, Portinari, Dias Gomes e outros. Teria sido socorrido e pernoitado na casa do juiz federal Américo Lourenço Masset Lacombe, hoje Desembargador Federal aposentado do Tribunal Federal da 3ª Região, em São Paulo/SP.

O guerrilheiro foi morto desarmado em uma emboscada em 4 de novembro de 1969. São mais de 500 páginas de tirar o fôlego e não tem como não se envolver na densa trajetória existencial do biografado, torcer e sofrer com ele. Uma grande narrativa.

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