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Infocult 8 | De Orlandivo a Oscar Wilde.

Fonte da imagem: Divulgação

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ATUALIDADES QUE FORAM

Todo mundo conhece Jorge Ben Jor. Mas ninguém conhece o genial cantor Orlandivo, que morreu, sem maiores alaridos, em fevereiro deste ano, antes de completar 80 anos. Talvez, alguém se lembre de “Bolinha de sabão”:

 Dez dias após a sua morte, Ruy Castro escreveu que “Se Orlandivo não tivesse existido, não sei se teriam acontecido Jorge Bem, Wilson Simonal, Elza Soares e Emílio Santiago na música popular.

Um grande músico praticamente esquecido no Brasil, que conheci, quase sem querer, num programa de TV do canal BRASIL, chamado Saideira: Trata-se de um programa que foi idealizado pelo saudoso Hugo Carvana e é apresentado pelos insuperáveis Stepan Nercessian e Antônio Pedro. Neste, além de Orlandivo, também participou Paulo Silvino (filho do Silvino Neto, maior imitador do Presidente Getúlio Vargas, como registrado por Samuel Wainer em suas memórias, “Minha Razão de Viver”). Para simples conferência.

Aliás, coisa curiosa, no episódio em que os convidados são Paulo Cesar Peréio (from Alegrete) e Eduardo Bueno (ou Peninha), este último conta uma história que teria acontecido com o escritor americano William Faulkner. Com todas as datas vênias, mas eu conhecia a mesma história ocorrida com o grande poeta Martins Fontes (1884-1937), contada pelo mito STANISLAW PONTE PRETA (pseudônimo do jornalista Sérgio Porto), sobrinho de Tia Zulmira e primo de Altamirando.

Invoco outras datas vênias para acreditar na versão do Sérgio Porto que consta no seu livro de obrigatória leitura “FEBEAPÁ, Festival de Besteira que Assola o País” (Companhia das Letras).

O seguinte é este, como diria aquele personagem do Guimarães Rosa: um português chamado Gonçalves que era metido a literato encontrou certa vez o poeta Martins Fontes e disse o seguinte: “Sr. Fontes, acabo de escrever um livro e estou cá cheio de dificuldades para encontrar o título”. Martins Fontes com toda a calma perguntou: “Seu livro fala de tambores?”. O português pensou e retrucou: “Tambores? Não, não fala de tambores”. Martins Fontes insistiu: “Fala de cornetas?”. O autor garantiu que o livro também não falava de cornetas. E Martins Fontes já se aprontando para seguir seu rumo disse: “Pois está aí um bom título – ‘Nem tambores nem cornetas’.

Essa história lembra muito, aliás, aquele compositor de polcas do conto Um Homem Célebre do Machado de Assis: o Pestana. Este, quando compôs a primeira polca, em 1871, quis dar-lhe um título poético: Pingos de Sol. Mas seu editor não achou popular e apresentou duas alternativas: A lei de 28 de setembro (em referência à Lei do Ventre Livre, só pode) ou Candongas não fazem festa?

“- Mas que quer dizer Candongas não fazem festa? – perguntou o autor.
– Não quer dizer nada, mas populariza-se logo.

MÚSICA DA SEMANA

Falando em Orlandivo (ou Orlann Divo), eu gosto de “Onde Anda o Meu Amor”, que tem no SPOTIFY também:


CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO (COMING SOON)

Na próxima edição do Infocult serão tratados os seguintes temas: a) a morte de Barbara Sinatra aos 90 anos, quarta e última esposa do cantor Frank Sinatra. As anteriores foram Nancy Barbato, Ava Gardner e Mia Farrow. Antes do cantor, Barbara foi casada com o comediante Zeppo Marx, o mais jovem dos Marx Brothers e b) a leitura dos seguintes livros em homenagem ao centenário da Revolução Russa de 1917: A Maldição de Stalin de Robert Gellately, O Túmulo de Lenin de David Remnick, A Grande Fome de Mao de Frank Dikötter, Manifestos Vermelhos e outros textos históricos da Revolução Russa, organizado por Daniel Aarão Reis e o clássico romance O Rei de Havana (1999) do cubano Pedro Juan Gutiérrez (o autor mora em Cuba, mas suas obras são proibidas lá. Escreveu também Trilogia suja de Havana em 1998).

CITANDO E RECITANDO

Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro.
(Machado de Assis)

Não sou obrigado a dar continuidade a qualquer trabalho. Não sou Gil ou Caetano. Sou louco!”
(Raul Seixas)

“Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.”
(Loucos e Santos de Oscar Wilde. Aqui, vociferado por Antônio Abujamra:

Os textos publicados não refletem necessariamente a opinião da AJUFERGS. O blog é um meio de convergência de ideias e está aberto para receber as mais diversas vertentes. As opiniões contidas neste blog são de exclusiva responsabilidade de seus autores.
  1. Schaan

    Schaan

    Muito boa a do Martins Fontes, ein, Don Lademiro? E a frase rauliana e esse texto maravilhoso do O. Wilde …

    Mais um grande infocult!!!

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