Ficha Técnica:
Título: “Memórias de uma Guerra Suja”.
Autor: Cláudio Guerra, em depoimento à Marcelo Netto e Rogério Medeiros.
Editora: Top Books, 2012, Rio de Janeiro.

Memórias-de-uma-guerra-suja

Marcelo Netto e Rogério Medeiros são jornalistas, o primeiro foi preso durante o regime militar de 1964 e interrompeu o curso de Medicina. Foi presidente da Rádiobrás e chefe da comunicação social do Ministério da Fazenda.

O entrevistado é Cláudio Guerra, um policial poderoso durante o regime militar no eixo Rio-Minas-São Paulo-Espírito Santo, Delegado do DOPS e hoje cumprindo pena de prisão. É pastor evangélico.

Seria um “matador” agindo ao lado do também delegado Sérgio Paranhos Fleury, nos anos 70. Homenageado pela elite e políticos de direita, com as ações elogiadas pela imprensa, perdeu prestígio após o assassinato da colunista social Maria Nilce. No Espírito Santo lhe atribuíam o assassinato da mulher e cunhada em um carro em 1980, pelo qual teve condenação de 18 anos, que estaria suspensa. Alude à resistência à abertura defendida por considerável número de militares da “linha dura”

Faz um depoimento dos 15 anos de atividades, tratando entre outros, do episódio dos cemitérios clandestinos, do envolvimento da CIA, da comunidade de informações, da estranha morte do Delegado Fleury. Lá pelas tantas, assevera que tem ficha limpa na Justiça Federal, achando estranho o fato. Relata a explosão da Rádio de Angola. Alude a uma reunião no Hotel Glória em 1980, com agentes da CIA, para acertar detalhes da “Operação Condor”. Revela muito ressentimento em relação à Polícia Federal, procurando de certa forma desqualificar os seus integrantes, em especial, o suposto envolvimento do Delegado Cláudio Barrouin (Operação Mosaico) com José Carlos Gratz e a segurança dos bicheiros. Relata o episódio envolvendo Fernando Gabeira, que é desmentido pelo próprio. Relata sobre a Scuderia Le Coc, dizendo que o grupo tinha tentáculos em setores importantes como políticos e juízes que se reuniam para torná-los impunes. Teria sido escalado para matar Leonel Brizola, no final de 1979. Relata detalhes da morte de Alexandre Von Baugarten.

As acusações e insinuações mostram-se algumas pouco específicas, sendo a mais detalhada aquela denominada “Bombas no Riocentro”. Perde muito em credibilidade em face de imprecisões e falhas de memória. Guerra se orgulha de nunca ter torturado ninguém, só matava.

O que se recolhe é a frase “Existia um sentimento de impunidade entre nós, porque fizemos a coisa ostensivamente, sem preocupações com eventuais testemunhas”.

Este livro não seria minha indicação preferencial para tomar contato com os tristes episódios da história recente.

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