A J U F E R G S  N A  M Í D I A
 
A NOVA GESTÃO DA AJUFERGS

 

Num sábado nublado do ano de 2002, um grupo de juízes federais reuniu-se no propósito de criar uma associação de nível estadual. Até então seus interesses eram representados pela Associação dos Juízes Federais, a AJUFE, sediada em Brasília. Em razão da distância, entendiam, fazia-se necessária uma instituição com papel de interlocução com a AJUFE, bem como, por estar mais perceptível aos problemas locais, junto ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região. Nasceu, pois, a Associação dos Juízes Federais do Rio Grande do Sul – a AJUFERGS.

Criar uma associação é fácil. Basta reunir determinado número de pessoas, registrar suas intenções num papel, obedecer determinadas formalidades, e pronto. Temos uma associação. Problema é fazê-la andar. E muitos duvidaram que isso pudesse acontecer.

O início foi dificílimo. Os prognósticos não eram dos melhores. Seu primeiro Presidente precisava, ele próprio ou seus Vices e Diretores, redigir seus ofícios, envelopá-los, remetê-los. A estrutura era nenhuma. O que havia, em excesso, era abnegação. Mas a Associação andou. O primeiro passo foi no sentido de fundir-se com a Escola da Magistratura Federal – ESMAFE, que a vitaminaria financeiramente, possibilitando, assim, sua almejada estruturação.

Ah! Então só o momento inicial foi difícil, depois transcorreu tudo maravilhosamente bem? Não, por que mal começou a andar, a Associação precisava mostrar a que veio. Postulações institucionais eram apresentadas e as articulações associativas surgiram no intuito de valer essas postulações. Primeiro timidamente, como convém a quem recém está se erguendo, depois com mais força. A voz fina e aguda cedeu espaço, tal qual o adolescente que ingressa na vida adulta, à voz grossa e grave. O que antes pareciam exigências de alguns magistrados aventureiros começou a tomar ares de reivindicações concretas e respaldadas por sentimento de classe.

Hoje a AJUFERGS é uma realidade. Gerida num espaço onde sua matriz não podia alcançar, pelo seu respaldo institucional tem atendido aos pedidos da AJUFE de agregação de forças não apenas visando assegurar as prerrogativas do Poder Judiciário, mas especialmente na construção da incipiente democracia brasileira.

Na busca dos seus objetivos estatutários poderia a AJUFERGS desfrutar de algum conforto. Mas não! Foi em busca de mais. Sente-se apta o suficiente a organizar, participar e financiar eventos para discussão e constante aprimoramento do Direito. Sente-se forte o suficiente para dialogar com a sociedade, incentivando a aproximação da Justiça Federal com a comunidade..

Puxa! Quer dizer que o sonho daqueles juízes, externados e articulados naquele sábado nublado, realizou-se? Não! Muito pelo contrário. Ele prossegue. A luta é ininterrupta. Repousar na solidez de hoje pode representar o lamento do amanhã. É preciso preservar as conquistas, traçar e alcançar novos objetivos e, constantemente, reinventar-se. E com essas finalidades, tomou posse a nova gestão da AJUFERGS.

Sexta feira passada, dia 13 de junho, o Juiz Federal Gabriel de J. Tedesco Wedy assumiu como novo presidente da entidade, em substituição ao Juiz Federal Adel Américo Dias de Oliveira. Inúmeras pessoas compareceram. Magistrados, autoridades públicas, federais, estaduais e municipais, acadêmicos, advogados, servidores e familiares, além de vários órgãos de imprensa, demonstrando o prestígio da Associação.

Wedy tem missões difíceis pela frente. Presidir agremiação de envergadura ímpar, preparando-se para inumeráveis e pouco singelos embates em defesa da categoria. Isso em substituição a Adel – curiosamente também o primeiro Presidente, aquele mesmo que redigia ofícios, envelopava-os e remetia-os, não em interesse próprio, mas no interesse da Associação que ousou presidir. É o sonho concretizado para o qual Wedy tem a tarefa de não nos deixar acordar.

Ainda assim há um conforto: empreendimentos complexos exigem homens competentes. E não por outro motivo os associados escolheram Wedy e sua combativa Diretoria para a sucessão. E de todas as pessoas presentes na transmissão do cargo, das quais muitas mereceriam destaque, uma deve ser especialmente mencionada, o Desembargador Garibaldi Almeida Wedy. Um altivo jovem de apenas noventa e cinco anos. Exemplo não apenas para seus familiares, dentre os quais está o atual Presidente da AJUFERGS, mas para toda uma geração de juristas. Se o Gabriel herdou algum traço do Dr. Garibaldi – e ninguém parece duvidar disso – os magistrados federais podem apostar numa excelente gestão.

Ao tempo em que agradecemos os que deixam apenas formalmente suas funções, e desejamos sorte aos que ingressam, apostamos alto no futuro da AJUFERGS. Nosso querido Rio Grande, ultimamente tão combalido e entristecido, está entre aqueles que a cumprimentam, pois precisa de instituições fortes e democráticas para reconstrução sadia da sociedade gaúcha.

Gerson Godinho da Costa
Juiz Federal
Diretor Cultural da AJUFERGS

      

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