O relativismo tem sido a tônica do mundo atual. O homem do medievo tinha a clara noção do bem e do mal, do certo e do errado; a dogmática religiosa impunha esta visão e poucos ousavam contestá-la. A evolução tecnológica, principalmente do Século XX, trouxe a inquietude do novo, e as certezas existentes na ciência e na visão que o homem possuía de Deus desapareceram.
Por um aspecto, o relativismo obriga o homem a pensar mais, questionar mais e não aceitar conceitos, fórmulas e princípios definitivos, gerando com isso a saudável inquietude pela busca do saber.
De outro lado, este relativismo, levado ao extremo, conduz o ser humano à insegurança e ao medo.
O conceitos de certo, errado, bom, mau, justo, injusto, divino ou profano são, a todo momento, confrontados com novas descobertas e relativizados a um extremo que chegam a desaparecer em certos momentos na vida cotidiana.
Em um país jovem, como o Brasil, com uma sociedade plural e imatura, no qual os valores da sociedade judaico–cristã que sustentaram a superestrutura do pensamento ocidental não foram ainda perfeitamente assimilados, o surgimento do relativismo traz como conseqüência o enfraquecimento do tecido social.
Os constantes escândalos de natureza político financeira que assolam o país são fruto da ausência da solidificação daqueles valores somada ao crescimento do relativismo.
Nesta seara, movem-se os Magistrados Federais, homens e mulheres não imunes às constantes mutações do mundo moderno, mas, ao mesmo tempo, sendo cobrados para se pautarem na sua vida social e profissional como referenciais de segurança e postura pessoal.
Missão cada vez mais difícil; o direito positivo, que sempre foi o paradigma de atuação dos Juízes, passa a se questionado na medida em que se toma conhecimento das querelas políticas e dos interesses que geraram as normas postas. De outro lado, na vida de relações, os juízes, como quaisquer pessoas, passam cada vez mais a questionar o seu papel como profissionais, pais, mães, homens e mulheres que são.
Talvez assim seja melhor, passamos da arrogância da certeza absoluta para a humildade da dúvida, reconhecendo que ela é nossa parceira constante, mas que, apesar dela, devemos continuar lutando para nos mantermos como um referencial positivo na sociedade brasileira. |