Sergio Buarque de Holanda é, indubitavelmente, um dos maiores pensadores ou intérpretes do Brasil. Inaugurou, ao lado de Gilberto Freyre e Caio Prado Júnior, na década de trinta, período de intensas e inovadores reflexões sobre nosso país.
Indispensável para quem procura formular qualquer crítica ou proposta sobre o Brasil, legou-nos manancial teórico que se apresenta apto a responder indagações e perplexidades próprias da contemporaneidade.
No seu mais conhecido e divulgado trabalho, ‘Raízes do Brasil’, amparado em considerações históricas, sociológicas e geográficas, compõe o arquétipo do brasileiro, modelo este dificilmente superável.
Ultrapassadas as infundadas e precipitadas incompreensões a respeito do conceito de ‘homem cordial’, fato é que não é inviável deixar de caracterizar o brasileiro, em geral, como mais preocupado com questões particulares do que com aquelas de natureza coletiva. Seu móvel psicológico, cujos reflexos são sentidos na cultura e na política, é eminentemente o benefício privado. O resultado dessa percepção é evidente.
Não reside aí qualquer crítica a quem quer que seja. Trata-se de mera constatação. E haverá de se convir que, no cenário atual, a sociedade brasileira tem sido profícua em apresentar exemplos práticos que confirmam as premissas teóricas de Sergio Buarque de Holanda.
Nesse cenário, é preciso opor-se às barreiras do individualismo com a finalidade de construir uma nação mais digna, fraterna e solidária. Mesmo que a geração atual não disponha de tempo para usufruir dessas possíveis conquistas, estará inscrita na história como aquela que principiou e pautou reformas e revoluções ideológicas, morais e sociais.
A tarefa, obviamente, é desmedida. Exige que se prescinda daquilo que nos pareça mais útil e proveitoso agora, mas que no futuro se revelará mais benéfico.
Não se trata de profecia. É fato. Basta examinar como historicamente foram superados os mais variados problemas e erigidas as grandes obras da humanidade. Por trás dos reconhecidos líderes sempre atuaram interesses coletivos.
No cenário de incertezas que atualmente vivenciamos, a magistratura não deixa de ser vitimada por processos que esmagam garantias, em plena desconsideração do Estado Democrático de Direito. Para subjugá-los, é necessária atuação conjunta e integrada. Desempenhos facciosos contribuirão apenas à desarmonia tão desejada por essas forças de desarticulação.
Por isso que se revela, cada vez mais dia após dia, indispensável o exercício associativo. Somente seu cultivo ininterrupto propiciará o abrandamento dos reveses que sucedem e de outros que estão sendo gestados.
É preciso evitar que o desfrute individual e imediato de hoje se traduza no irreversível arrependimento coletivo de amanhã.
Mostra-se de bom alvitre aprender com Sergio Buarque de Holanda para, ao final, desmenti-lo. Seu perfil biográfico evidencia que esse desfecho o aprazaria.
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