Rotineiramente a solidez das instituições é medida, entre outros fatores, por sua longevidade.
Aplicada essa sentença à realidade histórica da nossa Associação, será possível concluir, precipitadamente, que não cumpre a almejada condição.
Essa ilação, contudo, é resultado de insatisfatória interpretação, e por isso mesmo equivocada. Desconsidera que, se o tempo é o senhor da qualificação em comento, ninguém a alcança por acaso. Esse mal comparado currículo etário não se concretiza de repente. Ele certamente pressupõe o que passou. Mas não prescinde do seu presente. E não deixa de projetar o futuro.
E se o passado, apenas considerados os anos que correram, ainda é breve, a segurança do presente e a perspectiva de auspicioso futuro autorizam afirmar a solidez da nossa Associação.
No entanto, sua consolidação não está completa e acabada. Paradoxalmente quando assim se reputar é por que, lastimavelmente, perdeu sua razão de ser. Por isso o constante esforço por sua maior consistência não significa que assim já não se apresente ao corpo social. Apenas submete-se ao que reclama sua própria natureza: ininterrupto devir em busca da solidez necessária à existência de agremiação que se bata não somente em benefício dos magistrados federais gaúchos, mas também apta a intervir no processo de aperfeiçoamento da democracia.
Foram inúmeras as ações passadas cujos objetivos cingiam-se à defesa dos interesses dos Juízes Federais. Decerto a Associação não saiu vencedora em todos os embates. Mas a história é feita de conquistas e derrotas. E é por intermédio destas que se aproximam forças antes divididas e que se erigem instrumentos mais aperfeiçoados para obtenção de vitórias de maior ressonância.
De outro lado, a publicação da cartilha “Juiz Federal, satisfação em conhecê-lo” é exemplo do propósito de aproximação com a sociedade. Demonstra visibilidade associativa de longo alcance. O conhecimento partilhado de realidades antes desconhecidas pela sociedade proporciona o arrebatamento desta em favor dos reclamos dos Juízes Federais. O dispêndio de energia passa a ser menor. Se antes voltávamo-nos contra setores articulados e desarticulados, atualmente será preciso perseverar em desfavor daqueles, já que estes se assomam no enfrentamento das resistências pela construção de uma nação mais justa e fraterna.
E depois de tanto esforço, não seria legítimo exigir a reposição do nosso vigor por meio do lúdico? Não é este também um papel associativo? De que adianta lutar e vencer se não houver sobreviventes? As agremiações estão restritas a funções de combate institucional e esclarecimento social, ou, igualmente voltadas à finalidade associativa, precisam estar preparadas ao suprimento de necessidades mais prementes dos indivíduos? Nesse enfoque de atuação, as indagações anteriores podem ser respondidas com outra: qual associação possui envergadura suficiente para propiciar, aos seus associados, período de convivência harmônica para fins de discussões jurídicas e troca de experiências na extraordinária Buenos Aires?
Este é o passado da Associação dos Juízes Federais do Rio Grande do Sul. Esse é o resultado do proceder infindável onde muitos contribuíram adicionado tijolo e concreto. A fase de fundação ou estruturação está terminada.
É preciso prosseguir erguendo paredes. Este é o presente.
E do futuro, o que esperar? Dificuldades, obviamente. Mas a superação dos obstáculos será muito menos pungente, menos por que deixaram de ser enfrentados individualmente, do que pela possibilidade de contarmos com o amparo de uma instituição púbere, é verdade, mas indiscutivelmente sólida. |