THE BOOKS IS ON THE TABLE:
“Dicionário do Diabo” de Ambrose Bierce
Antes tarde do que mais tarde ainda. O livro “Dicionário do Diabo” foi lançado no ano de 1911, mas só agora esta reunião de aforismos irônicos sai no Brasil, com tradução de Rogério W. Galindo (http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/caixa-zero/).
Trata-se de uma compilação de verbetes – espirituosos e anedóticos – com definições satíricas e ácidas publicadas ao longo do tempo por Ambrose Bierce (1842-1913). Mais de cem anos depois, algumas verdades atemporais estão ali.
Vejamos algumas definições peculiares:
NIILISTA – Russo que nega a existência de qualquer coisa que não seja Tolstói. O líder da escola é Tolstói.
NOIVA – Mulher com uma ótima perspectiva de felicidade em seu passado.
NOIVO – Equipado com uma tornozeleira onde prender a corrente e a bola.
OBSERVATÓRIO – Lugar onde astrônomos fazem suposições sobre os palpites de seus antecessores.
ORAÇÃO – Pedido para que as leis do universo sejam anuladas em favor de um suplicante que confessa não ser merecedor.
PACIÊNCIA – Forma menos grave do desespero, disfarçada de virtude.
PATRIOTA – Alguém para quem os interesses de uma parte parecem ser superiores aos interesses do todo. Joguete dos estadistas e ferramenta de conquistas.
PAZ – Nas relações internacionais, um período de trapaça entre dois períodos de luta.
PLEBISCITO – Votação popular para descobrir qual a vontade do soberano.
POLIGAMIA – Casa de expiação, ou capela expiatória, mobiliada com vários bancos penitenciais, em oposição à monogamia, que tem apenas um.
POLÍTICA – Luta de interesses disfarçada de disputa de princípios. A condução dos negócios públicos para obter vantagens pessoais.
PRESSÁGIO – Sinal de que algo acontecerá caso nada aconteça.
PRÓXIMO – Alguém que, segundo o mandamento, devemos amar como a nós mesmos e que faz tudo o que sabe para nos tornar desobedientes ao mandamento.
Bom livro!
MÚSICA DA SEMANA (Será que Eu Vou Virar Bolor?)
O ótimo – clássico, etc – disco do ex-Mutante Arnaldo Baptista de 1974, Lóki?, foi notícia esses dias: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2017/05/1883489-arnaldo-baptista-comenta-faixa-a-faixa-loki-seu-album-de-1974.shtml
O artista comentou todas as faixas do álbum, como a espetacular “Vou me Afundar na Lingerie”: “A Rita Lee fazia show para a Rhodia [multinacional francesa com produção têxtil], e a gente acompanhava. Tinha naquela época umas modelos lindas. Ficava olhando elas passarem e compus influenciado por isso. Queria me afundar na lingerie.”
Ó o disco aí:
Bom som!
CENAS DO PRÓXIMO CAÍTULO (COMING SOON)
Na próxima edição do Infocult serão tratados os seguintes temas: a) analisaremos a capa da nova edição do livro do Bob Dylan, Crônicas – Volume Um (editora Planeta), pois consta uma etiqueta na parte superior que diz: “As memórias do vencedor do Prêmio NOBEL DA LITERATURA 2016”; b) indicaremos a biografia da banda inglesa The Smiths, chamada “The Smiths, A Light That Never Goes Out”, de Tony Fletcher (editora BestSeller), onde consta nas primeiras páginas: “Leiber e Stoller. Não Lennon e McCartney ou Jagger e Richards, embora no futuro, os nomes Morrisey e Marr viessem a ser mencionados com o mesmo tom reverente – assim como a banda que eles formaram a partir de seu encontro naquele dia, The Smiths, viria a ser saudada como a melhor da Grã-Bretanha desde os Beatles e os Rolling Stones.”; e, c) vamos dançar ao som da banda Blondie, com a maravilhosa Debbie Harry (quase 72 anos!) nos vocais, na nova música FUN, que estará no disco Pollinator, que chega em maio:
CITANTO E RECITANDO
Os textos publicados não refletem necessariamente a opinião da AJUFERGS. O blog é um meio de convergência de ideias e está aberto para receber as mais diversas vertentes. As opiniões contidas neste blog são de exclusiva responsabilidade de seus autores.“Dizem que sou louco
Por pensar assim
Se sou muito louco
Por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz
Se eles são bonitos
Sou Alain Delon
Se eles são famosos
Sou Napoleão
Mais louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu
Se eles têm três carros
Eu posso voar
Se eles rezam muito
Eu já estou no céu
Mais louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu
Sim, sou muito louco
Não vou me curar
Já não sou o único
Que encontrou a paz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz
Eu sou feliz”
(“Balada do Louco” de Arnaldo Baptista, do disco “Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets”)“Se não existissem más pessoas, não haveria bons advogados”.
(Charles Dickens, 1812-1870)
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