InfoCult

Prezades colegues

Fonte da Imagem: Festival Varilux

Fonte da Imagem: Festival Varilux

Prezades colegues,

foram inúmeros os pedidos! Todos aparecidos nos meus próprios sonhos, o que não invalida a conclusão. Assim, tento retomar a publicação do falecido e só não cremado Informativo Cultural por que virtual. Os meus dois ou três leitores da época, portanto, se sentirão novamente encorajados ao suicídio. Não lhes desejo mal, pelo contrário, mas é só para dar uma agitada no blog da Ajufergs.

A propósito, vamos utilizar o espaço! É arena livre para manifestações. Vale tratar de política, gastronomia, esportes, cultura. O que vier à moleira. Inclusive, para os sadomasoquistas, assuntos jurídicos. Mas divago…

Venho me alinhar à tropa capitaneada pelo Lademiro e seu precioso InfoCult. E desde já espanco os cochichos maldosos de que pretendo tirar seu lugar ou mesmo ombrear com a qualidade de seus textos. Por favor! Lademiro é, como afirmou o inesquecível Vicente Mateus, ex-presidente do Corinthians, em relação ao meu ídolo Sócrates (não o filósofo, mas o jogador, o Magrão da imbatível Seleção de 82… que perdeu. Como são as coisas, desde que parei de escrever esses textos ingressou um pessoal na carreira que nem nascido era em 82… Enfim gente, falo do doutor Sócrates que, dizem, comemorava seus gols imitando deliberadamente o movimento dos Panteras Negras. Convenhamos, concordando ou não com a manifestação, não é pouca coisa para a época e se tratando de jogador de futebol treinado a repetir o mantra “trabalhamos muito, deus nos ajudou e fomos felizes no placar”. Mas divago… perdão), “inegociável, invendável e imprestável”. Sigamos!

Quem já leu algo de Romain Gary? Para quem não sabe – eu não sabia! – ele é um escritor de língua francesa, embora nascido na Lituânia, que venceu duas vezes o Prêmio Goncourt, possivelmente o principal prêmio literário da França. O cavalheiro em questão tem dezenas de livros publicados. Claro que por aqui há pouca coisa traduzida e muito menos ainda disponível, mas é possível ter uma idéia de sua vida a partir do filme Promessa ao Amanhecer, baseado na sua obra homônima La promesse de l’aube.

O sujeito viveu na Polônia, França, Inglaterra, África e México, e isso é resumo. Lutou na Segunda Guerra, nos grupos de De Gaulle, e, sendo judeu, enfrentou desde sempre o odioso e latente preconceito. É um baita personagem, interpretado com louvor por Pierre Niney, ator que eu conhecia do filme Frantz e que, parece, trabalhou em Yves Saint Laurent. O cara é fera.

Mas não só. O enredo, não obstante a elétrica vida do escritor, trabalha a forte figura materna, em papel desempenhado pela sempre maravilhosa Charlotte Gainsbourg. Sim, ela mesma, dos impressionantes Ninfomaníaca, Anticristo e Melancolia. E fico nesses, dirigidos pelo diabólico/maluco/genial Lars Von Trier. Pra se ter outra noção dessa fera artística, ela é filha da também atriz Jane Birkin, que atuou em nada mais nada menos do que no clássico Blow-up, do Antonioni, e de Serge Gainsbourg, compositor, cantor, ator, poeta, diretor… ufa! Quem nunca ouviu Je T’aime,…Moi Non Plus? Nem interessa saber se acompanhado pela Jane Birkin ou pela Brigitte Bardot… Que currículo esse da Charlote! A fruta não cai longe do pé… quisesse-me ela e eu casava sem pestanejar. Mas divago…

O filme se debruça sobre as aventuras desse excêntrico artista, mas sempre com o diuturno sussurro da mãe. Uma relação ambígua, de amor e não amor, mas onde o primeiro visivelmente prevalece. O final é comovente. Sem spoiler. A reconstituição de época e o figurino são impecáveis. Assistam e me digam o que acharam. De preferência me pagando um café expresso ou almoço. Ou por carta. Em breve informo minha caixa postal. O requisito é que seja datilografada. E em máquina manual, não vale elétrica.

Até uma próxima vez! Se houver…

Os textos publicados não refletem necessariamente a opinião da AJUFERGS. O blog é um meio de convergência de ideias e está aberto para receber as mais diversas vertentes. As opiniões contidas neste blog são de exclusiva responsabilidade de seus autores.
  1. Lademiro

    Haverá outras muitas!
    Ainda há juízes em Canoas!
    Ainda há escritores brilhantes em Viamão!
    Excelente texto como sempre.

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