DICA DE FILME RUIM

No dia 12 de setembro agora, fez dez anos do suicídio do escritor David Foster
Wallace. Ele morreu com 46 anos.
A sua obra-prima é o livro “Graça Infinita” (Infinite Jest) de de 1996, traduzida para o português pelo Professor da UFPR, Caetano Galindo (o mesmo do Ulysses do James Joyce). Aqui, ele fala um pouco sobre o livro e a tradução:

Neste outro vídeo, uma longa explicação sobre o livro:

Não é fácil resumir o que está neste romance de 1.144 páginas e 1,499 kg (na versão brasileira). Tem que ter muita paciência porque também não é uma leitura amena, com, inclusive, muitas notas de rodapé. A leitura é uma “aporrinhação infinita”. Boa sorte.
Tudo isso para lembrar que se encontra no NETFLIX o filme “O Final da Turnê” de 2015, que reconta a entrevista de cinco dias de David Lipsky, repórter da “Rolling Stone”, com o David Foster Wallace. Se o sujeito está mal informado sobre o tal livro e seu autor, não vai entender nada do filme.
O roteiro é baseado no livro “Although of course you end up becoming yourself: A road trip with David Foster Wallace” (sem edição no Brasil), do jornalista David Lipsky.
Em 1996, trabalhando como repórter da edição americana da revista “Rolling Stone”, Lipsky acompanhou Foster Wallace no final da turnê de lançamento de “Graça infinita”. A reportagem, no entanto, jamais saiu. Apenas depois da morte de Foster Wallace é que ele resolveu usar a apuração e lançá-la na forma de livro, em 2010.
Quem interpreta Foster Wallace no filme é Jason Segel (“How I met your mother”). Jesse Einsenberg (“A rede social”) faz Lipsky. Espero que com essas poucas informações, o filme se revele menos ruim! Não garanto nada, nem filme, nem livro.
Bom filme!

MÚSICA DA SEMANA (I)

 THE THE é uma banda de um homem só: Matt Johnson. Já teve várias formações. A melhor delas foi com a presença do guitarrista Johnny Marr entre 1988-1994. Considero a melhor porque sempre gostei da antiga banda de Marr, The Smiths.
Música da semana, “Dogs of Lust”, The The, com Johnny Marr e tudo (1992):

Já que eu falei em The Smiths, não posso deixar passar, com Morrisey e tudo mais (The Boy With The Thorn In His Side de 1986):

MÚSICA DA SEMANA (II)

Já saiu aqui neste ambiente uma listagem de bandas de rock só de garotas. Faltou referir The Slits do antológico disco Cut de 1979. Neste disco está a música “Typical Girls”, que o falecido guitarrista da banda Nirvana, Kurt Cobain (1967-1994), considerava uma das melhores canções americanas.

Mas a melhor do álbum é o cover daquela música imortalizada por Marvin Gaye de 1968

que a banda Creedence Clearwater Revival também registrou, I Heard It Through the Grapevine:

Baita som!

CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO (COMING SOON)

Na próxima edição do Infocult serão tratados os seguintes temas: a) Especularemos o preço que o governo francês pagou pelos manuscritos inéditos do escritor Marcel Proust (1871-1922). Os escritos são compostos por 19 fragmentos e foram adquiridos da sobrinha-neta do autor, Marie-Claude Mante. Serão expostos no ano que vem em Illiers-Combray, localizado no centro da França, onde se localiza o museu dedicado a Proust; b) já quanto ao falecido David Bowie, não haverá mistério quanto ao valor pago por sua primeira gravação do ano de 1963, I Never Dreamed: US$52 mil. A canção foi feita por Bowie quando ele tina 16 anos e ainda cantava no grupo The Konrads; c) comentaremos en passant o livro de 2016, recém lançado no país, “A Uruguaia” do escritor argentino Pedro Mairal, que pode ser adquirido no eBook Kindle por R$ 26,91.

CITANDO E RECITANDO

 Quintana’s Bar

Num bar fechado há muitos, muitos anos, e cujas portas de aço bruscamente se descerram, encontro, quem eu nunca vira, o poeta Mario Quintana. Tão simples reconhecê-lo, toda identificação é vã. Em algum lugar – coxilha? montanha? vai rorejando a manhã.
Na total desincorporação das coisas antigas, perdura um elemento mágico: estrela-do-mar – ou Aldebarã?, tamanquinhos, menina correndo com o arco. E corre com pés de lã.
Falando em voz baixa nos entendemos, eu de olhos cúmplices, ele com seu talismã. Assim me fascinavam outrora as feitiçarias da preta, na cozinha de picumã.
Na conspiração da madrugada, erra solitário – dissolve-se o bar – o poeta Quintana. Seu olhar devassa o nevoeiro, cada vez mais densa é a bruma de antanho.
Uma teia tecendo, e sem trabalho de aranha. Falo de amigos que envelheceram ou que sumiram na semente de avelã.
Agora voamos sobre os tetos, à garupa da bruxa estranha. Para iludirmos a fome que não temos pintamos um romã.
O poeta aponta-me casas, a de Rimbaud, a de Blake e a gruta camoniana.
As amadas do poeta, lá embaixo, na curva do rio, ordenham-se em lenta pavana, e uma a uma, gotas ácidas, desaparecem no poema. É há tantos anos, será ontem, foi amanhã?
Signos criptográficos ficam gravados no céu eterno – ou na mesa de um bar abolido, enquanto debruçado sobre o mármore, silenciosamente viaja o poeta Mario Quintana.
(Carlos Drummond de Andrade)

É muito fácil fazer o difícil. O difícil é fazer o fácil.
(Carlos Imperial)

Aqui jaz Fernando Sabino. Nasceu homem, morreu menino.
(Epitáfio do escritor Fernando Sabino, nascido em 12/10/1923 e morto no dia 11/10/2004)

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