ATUALIDADE QUE FORAM

O italiano Andrea Camilleri, escritor de romances policiais, morreu aos 93 anos. Ele foi autor da série policial protagonizada pelo comissário Salvo Montalbano. Estreou depois dos 50, ficou famoso depois dos 70 e lançou mais de 100 livros.

O Professor da Universidade Federal de Santa Maria Aguinaldo Medici Severino, que já frequentou este informativo de cultura dando uma aula sobre James Joyce e sua obra mais célebre Ulisses, foi quem tratou deste escritor italiano no livro coletivo “Por que ler os contemporâneos” (editora dublinense). Depois de um “sobre o autor” o Professor Aguinaldo tece considerações sobre o escritor e sua obra, para no último parágrafo concluir que: “Camilleri faz questão de registrar, no final de seus livros que tudo é resultado de sua imaginação, que não há qualquer relação não casual com eventos efetivamente ocorridos. Mesmo assim, se há algo que possa ser dito sobre a relevância de sua obra como representativa deste início de século, devemos ressaltar sua capacidade de refletir a Itália à luz de seu passado recente, que é o passado de Camilleri, um senhor de quase noventa anos que enxerga seu país com os olhos ora benevolentes, ora cruéis, porém sempre precisos, de um jovem.

Aqui, uma lista de seus livros mais famosos.

Boa leitura!

DA LOCADORA DE VÍDEOS AO STREAMING

Um dia, cansado da insossa NETFLIX, assistia ao filme “A Doce Vida” de Federico Fellini (1960), quando de repente Marcello, interpretado por Marcello Mastroianni, encontra quem na rua? NICO. Sim, a Nico, fazendo o papel dela mesma: a Nico. Ou como é chamada no filme: Nicolina! Aqui, o exato momento da aparição da então modelo deslumbrante:

Nico (1938-1988) foi uma cantora alemã que entrou para o imaginário cultural POP por sua participação no famoso disco da BANANA da banda liderada por Lou Reed, Velvet Undergroud:

O apelido Nico foi criado por Andy Warhol, e é um anagrama da palavra ícone. Seu nome verdadeiro era Christa Päffgen. Foi uma figura que atravessou o século XX como um cometa, estando presente em vários momentos da cultura mundial. Ela conheceu muitos roqueiros, como mostra aquela cena do filme do diretor Oliver Stone sobre o The Doors. Teve um filho com o ator Alain Delon (Ari, hoje fotógrafo na França), que nunca foi reconhecido pelo pai, etc.

Tudo isso, para alertar sobre o filme lançado no ano passado que trata dessa multi artista até sua morte em 1988: “Nico, 1988”.
Trailer e mais informações:

Bom filme!

MÚSICA DA SEMANA

Segundo Sérgio Cabral (o pai, e não o filho preso) na biografia de Antônio Carlos Jobim (editora Lazuli), quando morreu Ruy Barbosa, o Correio da Manhã assim definiu a perda: “Apagou-se o Sol”. Da mesma forma, com a morte de João Gilberto, o sol não irá mais brilhar como antes!

Claro que o gênio baiano já tocou aqui no INFOCULT. Se não, isso aqui não seria info e nem CULT. Para registrar, além do clássico álbum “João Gilberto & Stan Getz” de 1963,

lembro de uma canção de João Gilberto invocada aqui: “Eu pra você fui mais um, você foi tudo pra mim.” Essa música – Esperança perdida – foi mais uma da parceira entre TOM JOBIM (1927-1994) e BILLY BLANCO (1924-2011). Outro clássico da dupla é “Teresa da praia!”:

Billy Blanco, autor de “Estatuto da Gafieira”, “Viva meu samba”, “Pistom de gafieira”, “Pano legal”, “Aeromoça”, é conhecido em São Paulo pelo “Vam’bora, vam’bora/Ta na hora/Vam’bora, vam’bora” de sua “Sinfonia Paulistana”. Mas como Esperança perdida não tem: “Fiz de você meu sol, minha razão, meu tudo, enfim”.

E com João Gilberto, fica melhor ainda:

Ademais, quem quiser saber os detalhes daquele lendário encontro entre J. Gilberto e os Novos Baianos, é recomendável ler a coletânea de contos de Sérgio Rodrigues, “A Visita de João Gilberto aos Novos Baianos” (Companhia das Letras).

Tudo levando, claro, ao livro do início dos anos oitenta, “O Concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro” de Sérgio Santanna (Companhia das Letras, também). Por fim, a primeira mulher de João, Astrud, em “Água de Beber”. Baita som:

Boa Bossa Nova!

CITANDO E RECITANTO

Só mocidade, ou loucura,
Faz um rapaz se casar.
À vista disso, querida,
Aqui não quero ficar 

Quem não tem jeito na vida
Que vá pro diabo, ou se enforque,
À vista disso, querida,
Vou, mas é pra Nova York. 

Quando nos vimos no atalho,
Como uísque te quis beber!
Eras mais linda que o orvalho
Posto ao sol a derreter. 

Mas o uísque quando azedo
E a mulher quando faz medo
Não há ninguém que os emboque!
À vista disso, querida
Vou, mas é pra Nova York.
(Uma ária cantada pelo sr. Simão Dedalus, pai de Stephen Dedalus, alter ego de James Joyce, no livro Retrato do artista quando jovem)

Acho que os anos 1950 devem ter acabado por volta de 1965”.
(Bob Dylan citado no livro O Ano Mais Revolucionário da Música – 1965, de Andrew Grant Jackson)

Entre os brasileiros reencontrei a sonoridade ideal, porque, para mim, música boa é aquela que, de um modo ou de outro, tem cor negra.
(Dizzy Gillespie, na traseira do CD gravado no Brasil com o TRIO MOCOTÓ em 1974: Dizzy Gillespie no Brasil com Trio Mocotó)

“Certa vez, depois de muitos uísques consumidos numa mesa de bar, o autor destas linhas perguntou a Jobim: ‘Afinal, você comeu Candice Bergen ou não?’ Ele respondeu: ‘Que nada! Quem comeu foi o Tarso de Castro. Aliás, minha sina foi sempre esta: cantar as moças para o Tarso comê-las’. O jornalista Tarso de Castro, um dos fundadores do Pasquim, foi, de fato, um notório garanhão. Candice Bergen abortou um filho dele.” (from “Antonio Carlos Jobim: Uma biografia” by Sérgio Cabral)

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