THE BOOK IS ON THE TABLE

Gostaria muito de indicar, só indicar, aquele livro do escritor francês Alfred Jarry (1873-1907), “O Supermacho” que tem aquele começo que todo mundo cita quando fala dele, inclusive eu: “Fazer amor é um ato sem importância, já que se pode repeti-lo indefinidamente.” Está indicado, pois! Depois, tenho mais um livro para comentar, que me foi apresentado pelo Desembargador Federal José Luiz Borges Germano da Silva. Trata-se de “Fronteira Iluminada, História do Povoamento, Conquista e Limites do Rio Grande do Sul, a partir do Tratado de Tordesilhas (1420-1920)”, do Diplomata Fernando Cacciatore de Garcia, sobrinho-neto do Oswaldo Aranha. Conforme asseverou Gunter Axt no prefácio desta obra: “O gaúcho nasceu na fronteira. E é a fronteira que ele carrega dentro de si. Para onde quer que vá, é o espírito da fronteira que o anima.”

Mas queria mesmo fazer um alerta para quem estiver lendo a biografia de Carmen Miranda do Ruy Castro (p. 214) ou “O Leitor Apaixonado” do mesmo autor. Ele refere nessas duas obras a “mesa redonda” do Hotel Algonquin em Nova York. Nesse segundo livro, inclusive, tem uma crônica chamada “Ao redor da mesa”. Parece que tudo começou assim: em junho de 1919, alguns jornalistas de Nova York foram almoçar no restaurante do Hotel Algonquin. Eram eles, Alexander Woolcott, Robert Benchley, Dorothy Parker e Robert Sherwood. Não sei se foi pela comida ou pelo ambiente, mas todos retornaram no dia seguinte e em todos os dias pelos dez anos seguintes. Depois entraram para turma, George S. Kaufman, Edna Ferber (escreveu “Show Boat”), Mark Connelly, Franklin P. Adams, Ring Lardner, Herman J. Mankiewicz (escreveu o roteiro de “Cidadão Kane”), Ben Hecht, Donald Ogden Stewart, Jane Grant (fundou a revista The New Yorker), Harold Ross (fundou a revista The New Yorker, também) e outros, futuros teatrólogos, poetas, romancistas e roteiristas, e até o ator Harpo Marx.

Para quem quiser ver essa turma disparando frases mordazes e brilhantes sobre os costumes, política e produção artística daquele tempo, deve assistir ao filme “O Círculo do Vício” de 1994, com Jennifer Jason Leigh (de “Os Oito Odiados” e “Picardias Estudantis”) no papel de Dorothy Parker.

Bom livro ou filme!

MÚSICA DA SEMANA (I)

A banda The Turtles, que, posteriormente, passou a se chamar apenas Turtles, foi muito citada naquele livro do Andrew Grant Jackson, “1965 – O ano mais revolucionário da música”. E é uma grande banda mesmo. A música mais famosa certamente é Happy Together:

Para conhecer mais a banda e se esbaldar vendo atores obscuros fazendo os papéis de Jimi Hendrix, Brian Jones, Beatles, Frank Zappa, The Moody Blues e outros, é essencial assistir ao filme “Meu Jantar com Jimi” de 2003. É a história da viagem dos Turtles à Inglaterra em 1967 e da noite em que o seu vocalista jantou com Jimi Hendrix. Vale muito:

MÚSICA DA SEMANA (II)

Difícil é escolher uma só música dessa lendária banda de Detroit, MC5 (Motor City Five). Mas vamos de “Kick Out The Jams” (que já foi regravada pela banda Rage Against The Machine:

Loucura, loucura! Bom som!

CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO (COMING SOON)

Vamos analisar palavrão por palavrão do livro “Enfim, Capivaras” da escritora gaúcha Luísa Geisler, que foi banido da Feira do Livro de New Hartz. Melhor é o artigo da escritora sobre a controvérsia.

CITANDO E RECITANDO

“O ciúme nada mais é muitas vezes do que uma inquieta necessidade de tirania aplicada às coisas do amor.
(Marcel Proust, “Em Busca do Tempo Perdido”, volume 5, “A prisioneira”)

Giletes machucam
Rios são úmidos
Ácidos mancham
E drogas dão
Câimbras.
Armas são ilegais
Nós escorregam
Gás tem mau cheiro
É melhor viver.
(Dorothy Parker, citado por outro Marcel, o Citro, no seu livro “A Noite do Sáurio”)

Henry Miller e Burroughs
você quer dizer que não gosta deles?,
me perguntam toda
hora.
não.
qual é?
só não gosto.
não posso acreditar. por que
você não gosta
deles?
ah, meu deus, vai à merda.
você gosta de alguém?
claro.
cite os nomes.
Céline, Turguêniev, Dostoiévski, o Górki
do começo, J.D. Salinger, e.e. cummings,
Jeffers, Sherwood Anderson, Li Po,
Pound, Carson McCullers…
ok, ok, mas não acredito que
você não goste de Henry Miller ou Burroughs,
principalmente Henry Miller.
vai à merda.
chegou a conhecer o Miller?
não.
acho que você está brincando comigo sobre não gostar de Henry Miller.
hmm hmm.
é inveja profissional?
não creio que seja.
o Miller abriu as portas pra todos
nós.
e eu estou abrindo a minha porta pra
você.
por que você está irritado com tudo
isso?
não irritado, mas você já comeu o
cu de uma galinha?
não.
faça isso, então volte que a gente
conversa sobre William B. e principalmente
Henry M.
eu te acho um babaca esquisito
cai fora ou eu te tiro daqui na
porrada.
você vai ouvir falar de mim.
se um dia ouvirem falar de você vai
ser porque escrevo sobre
você, agora cai
fora!
boa noite.
boa, falei com a porta
fechando,
noite.
(Charles Bukowski, no livro “Tempestade Para os Vivos e Para os Mortos” da L&PM)

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