Já foram distribuídas quase 2,5 mil refeições em menos de três meses.

31É quinta-feira, cai a noite em Porto Alegre e a temperatura já está abaixo dos 10°C. Duas equipes de juízes federais dirigem-se para dois pontos da Capital: a Praça da Matriz e o Viaduto da Conceição. Começa mais uma distribuição da ação solidária organizada pelos associados da AJUFERGS com pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Ao chegar nos locais, as filas rapidamente se formam com dezenas de pessoas à espera de ajuda. Os voluntários não demoram muito para partilhar 175 marmitas, 100 cobertores e dezenas de peças de roupas e sapatos. Não são só moradores de rua os beneficiados, pessoas vindas de outros bairros também aproveitam para matar a fome. Em cerca de 30 minutos, mais uma ação está concluída.

Porém, o trabalho para realizar esse ato de solidariedade começa dias antes. Para dar conta de produzir, embalar e distribuir tantas refeições assim, uma verdadeira força-tarefa foi montada pelos voluntários, a imensa maioria magistrados federais, mas também participam pessoas sem nenhuma ligação com a carreira. Na linha de frente de todo esse processo está a juíza federal Carla Evelise Justino Hendges.

Cozinhas a todo o vapor

Carla, que está atua há 24 anos na profissão, tornou-se uma espécie de “comandante da operação”. Ela participa de todos as etapas, a começar pela preparação do cardápio. A magistrada revela que os pratos são construídos sempre pensando no valor nutritivo e na otimização dos suprimentos. “Procuramos sempre dar preferência a ingredientes com potencial energético. Hoje, por exemplo, temos feijoada, arroz, couve com farofa e bolo de fubá. Além disso, evitamos qualquer ingrediente que possa causar algum tipo de alergia”, conta. Tudo é aprovado por meio de consenso entre os voluntários.

A preparação dos alimentos começou no dia anterior, colocando o feijão de molho. Ao todo, foram quase 100 quilos de feijoada cozidos em duas panelas industriais. Para dar conta de tanto serviço, os voluntários do último dia 02/7 dividiram-se em três cozinhas. Desde a terceira ação, também estão empenhadas as cozinhas comandadas pelas associadas Graziela Bündchen, Ana Cristina Monteiro e Cristina de Albuquerque Vieira. Graças a elas foi possível ampliar o número de marmitas oferecidas.

A maior de todas, organizada no apartamento de Carla, contava com mais oito voluntários: as juízas federais Karine Cordeiro e Ana Maria Theisen, e o voluntário de fora da carreira Túlio Zamin, na preparação da comida, além dos juízes federais Gerson Godinho da Costa, Clarides Rahmeier e Ana Paula De Bortoli, do desembargador federal Rogério Favreto, e da voluntária de fora da carreira Maria da Glória Prestes, no processo de embalagem.

Pandemia foi ponto inicial

A ideia de fazer as ações surgiu em meados de março, logo após o início da pandemia. Carla conta que foi durante uma conversa com as colegas Rafaela Santos Martins da Rosa, presidente da AJUFERGS na época, e Daniela Tocchetto, atual vice-presidente de patrimônio e finanças da entidade. “Foi algo natural, nós começamos a pensar como poderíamos fazer a diferença num momento desses, com tanta gente passando necessidade”.

As doações de suprimentos e contribuições financeiras estão vindo de várias partes. Além dos próprios magistrados, doam para a iniciativa servidores e pessoas sem nenhuma ligação com a magistratura.

O diretor social e de esportes da AJUFERGS, juiz federal Ricardo Soriano Fay, salienta a relevância do engajamento da entidade em ações concretas como essa. “É de extrema importância a colaboração de todos os setores da sociedade neste momento delicado da pandemia, em especial com a aproximação do inverno. O envolvimento da Associação nestas iniciativas demonstra a responsabilidade social que se deve ter com aqueles que estão passando por grandes dificuldades”, destaca.

Quem contribui com as ações tem a garantia de que sua doação realmente será aplicada para o devido fim. As prestações de contas ficam disponíveis para consulta para quem tiver interesse de ver. “Todos os gastos com a compra de insumos para as ações semanais são registrados por sistema contábil mediante a apresentação de notas fiscais. As prestações de contas são realizadas semanalmente pelos associados participantes e aprovadas posteriormente pela diretoria da AJUFERGS”, enfatiza Fay.

Favreto, que além de auxiliar no processo de embalagem também ajuda na distribuição, fala do sentimento pessoal de participar da iniciativa. “Essa ação solidária se define na gratidão. Gratidão de poder contribuir com as necessidades dos moradores de rua. Gratidão retribuída por eles em cada sorriso, cumprimento e agradecimento recebido”, afirma.

O magistrado ainda frisa que é necessário um engajamento maior de outros setores, principalmente da Administração Pública, em momentos como o que vivenciamos. “Fica sempre uma angústia dupla: primeiro, em perceber que cada dia mais aumenta essa população de rua, muitos já produto da crise da pandemia; segundo, pela falta de políticas públicas efetivas para atender as pessoas mais vulneráveis”, frisa o magistrado, lembrando que sequer há torneira de água nesses pontos para ajudar na higiene pessoal, mais necessária hoje para prevenir doenças e a própria Covid-19.

Doações não podem parar

Quem quiser ajudar a iniciativa pode fazer uma doação de qualquer valor para a aquisição dos alimentos. O comprovante de depósito pode ser enviado para o WhatsApp (51) 99965-1644. As distribuições estão acontecendo todas as quintas-feiras, inclusive em dias de chuva. Em algumas semanas, ocorrem também às segundas-feiras.

Agência: Sicredi
Agência: 0116
Conta: 51728-7
CNPJ AJUFERGS: 07.561.031.0001-60

EDITORIA

Projeto: AJUFERGS

Tiragem: 07/2020

Coordenação: Ricardo Soriano Fay, Diretor Social e de Esportes da AJUFERGS (biênio 2020/2022). Carla Evelise Justino Hendges, Diretora Social e de Benefícios da AJUFERGS (biênio 2018/2020.

Matéria e fotos: Gilberto Gil

Arte Gráfica: Jaqueline Marques

Confirma o material exclusivo do projeto: https://issuu.com/esmafers/docs/folder

A fila formou--se rapidamente após a chegada de uma das equipes

A cozinha segue todos os padrões de higiene

A Praça da matriz é um dos pontos de distribuição

A temperatura já estava abaixo de 10 graus - Copia

Além das marmitas, a ação também distribuiu cobertores e roupas

Ao todo, foram distribuídos quase 100 cobertores

As marmitas acompanham talher descartável - Copia

Carla tornou-se uma espécie de comandante da operação

Cinco voluntários participam da etapa de distribuição

Desde abril, já foram distribuídas quase 2,5 mil refeições

Em poucos minutos, mais de 175 marmitas foram entregues

Foram quase 100 quilos de feijoada em uma única ação

O cardápio sempre prioriza alimentos com alto poder nutritivo

O processo de embalagem é feito durante o período da tarde

O uso de máscaras é obrigatório dentro dos ambientes de manuseio

O Viaduto da Conceição é um dos pontos de distribuição

Os voluntários utilizam os próprios veículos para o transporte das caixas

Só são utilizados temperos que não tenham risco de causar qualquer alergia

 

Os textos publicados não refletem necessariamente a opinião da AJUFERGS. O blog é um meio de convergência de ideias e está aberto para receber as mais diversas vertentes. As opiniões contidas neste blog são de exclusiva responsabilidade de seus autores.